sábado, 30 de abril de 2011

Ovo de Páscoa: 1kg de trabalho

O coelhinho da páscoa quis tirar férias, chegou pra gente e disse “esse ano é com vocês!”. Diante dos preços dos ovos de páscoa e acreditando que “fazer” nosso próprio ovo de chocolate sairia muito mais em conta, divertido e nem tão difícil, convenci Hugo a enfrentar este desafio.


Devo dizer que a minha opinião mudou quase totalmente depois de por a mão na massa (e no bolso) e agora eu respeito muito quem faz ovos de páscoa! Difícil não foi... lembrando que não sabemos NADA sobre chocolate, então partimos do princípio que “é só derreter a barra e colocar na forma de ovo”.

A forma eu tive que pedir para uma tia comprar lá no centrão da cidade e a loja estava tão lotada e infernal que ela pegou a primeira que viu. E era enorme! 1kg de chocolate! A partir daí decidimos que um ovo só seria o bastante para nós dois, já que a intenção nem era descer as escadas rolando com a cara cheia de espinha e coisa e tal. Compramos duas formas (pra fazer um ovo inteiro de uma vez) e cada uma custou R$ 6,40. Nesse site aqui tem o passo-a-passo da nossa forma, porque ela era muito chic! O chocolate foi esse aqui, Chocolate ao Leite cobertura 500g da garoto, 2 barras dessa, cada uma 13,90.

Resolvemos fazer uma “banda” de cada vez e, seguindo as instruções da embalagem, picamos o chocolate numa vasilha de vidro e colocamos no microondas, de pouco em pouco tempo, sempre parando pra mexer, para que o chocolate não chegasse a ferver de fato. Esse processo foi bem simples e rápido, o que demorou mesmo foi para resfriar o chocolate, mexendo ele dentro de uma vasilha com água fria. Segundo a embalagem, ele estaria no ponto quando “a sensação na pele fosse frio como um talher de metal”


Eu não lembro em que momento eu disse sim para o ovo de páscoa, mas sei que quando comecei a ver a dificuldade que era para achar uma forma em plena páscoa e o trabalhão que iria dar, comecei a me arrepender. Só em ler as instruções sobre como teríamos que acomodar o chocolate na sua caminha oval, já fiquei aflito e prevendo um possível vazamento de chocolate dentro da geladeira. Mas tudo bem, valia a pena arriscar.

Na hora de derreter o chocolate, achei super simples. O problema é mesmo “mexer o chocolate até esfriar, como sentir um talher gelado na pele”. Sim, mas e quando a talher está na temperatura ambiente, beirando os 30º C, apesar das previsões de chuvas como só Noé já viu?

Foram tantos minutos mexendo chocolate pra lá e pra cá, fazendo aquele cheiro (inicialmente maravilhoso) se espalhar pela cozinha, que foi batendo um enjôo, um enjôo... Tive que parar, pedi penico, estilei, sai pela tangente, bandeira branca, amor, não posso mais. Pelo bem da páscoa, decidimos fazer só uma metade do ovo e deixar a outra pro sábado.

No Sábado, Aleluia! Terminamos o ovo. Nara aproveitou a disposição e o tempo livre do aniversário para fazer a segunda metade e ainda um bolo de aniversário (que em breve estará por aqui e vai surpreender muita gente, hein!).

Eu me contentei com o primeiro dia e a primeira metade do ovo. Apesar de todo trabalhão que deu, valeu a pena. Hoje eu posso dizer “Já fiz um ovo de páscoa!”. Ah, e ano que vem tem mais... só usamos uma das formas e a outra ainda está na embalagem, pronta para ser usada.

domingo, 17 de abril de 2011

Cartolinha – Uma mexida básica na tradicional cartola

“Bate outra vez com esperança o meu coração, pois já vai acabando o verão, enfim”. As Rosas não falam, música de Cartola. Por que essa música veio parar aqui? Pelo nome do poeta, simplesmente. Pois não tem como não lembrar dele enquanto você faz ou come uma cartola.

A cartola tradicional, que eu até já fiz antes mesmo desse blog, é bem simpres: 400g de queijo mateiga, algumas bananas prata cortadas em fatias e açúcar com canela. Maaaasss... Quando as opções de queijo são melhores e a única banana que tem em casa é banana comprida (aquela de cozinhar), o jeito é improvisar (ou revisitar, como dizem os chiques) a receita. Foi o que eu fiz! Tomei a liberdade de, mais uma vez, batizar a receita.


Cartolinha de Hugo

INGREDIENTES

- Uma banana comprida cortada em rodelas

- 100 gramas de queijo manteiga cortado em cubinhos - Fatias de queijo prato

- ½ xícara da mistura canela e açúcar

- Manteiga


MODO DE PREPARO

Numa chapa, derreta a manteiga e frite as finas rodelas de banana comprida até dourá-las. Quando elas atingirem este ponto, desligue o fogo e acrescente os cubinhos de queijo, para que eles derretam um pouco.

Tenha cuidado para o queijo não derreter demais e grude na chapa, mas se quiser deixar que isso aconteça (moderadamente), você terá uma casquinha crocante muito legal na sua receita. Feito isso, é só colocar as rodelas de banana e os cubinhos de queijo no prato, sobre uma ou mais fatias de queijo prato. Em seguida, acrescente a mistura canela e açúcar, e fim de papo.


O sabor da cartolinha é diferente. Além da mistura dos queijos, a banana comprida frita não é tão doce quanto a tradicionalmente usada neste tipo de sobremesa. Eu nunca fiz, mas estava aqui pensando...Será que presta para fazer com açúcar refinado? Outro detalhe é que o queijo manteiga que eu usei era com raspa de tacho. Pense, num negócio bom. Para quem mora em Recife, ele é vendido no mercado do Cordeiro e no mercado da Madalena.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Um post de aniversário

Passou rápido. Comidinha pra lá, comidinha pra cá, nosso blog completa hoje o primeiro ano de vida. E hoje, podemos dizer: Deu certo!

Há um ano eu e Nara estávamos pensando em como fazer um blog legal em que pudéssemos mostrar nossa (pouca) experiência na cozinha, nossas receitas e, sobretudo, nosso aprendizado. Eu, influenciado pela filosofia do Larica Total; ela, pelo filme Julie & Julia, eu acho... O fato é que a coisa começou a andar, e confesso que o blog superou minhas expectativas.

Você imagina o que é cozinhar pensando num texto, planejando uma foto, depois escrever, editar, postar? Para quem não gosta de escrever nem de cozinhar deve ser um trabalhão. Mas não pra gente. Pra gente é muito divertido, envolve nossas famílias e é bastante prazeroso. Digo isso porque lembro da cara dos meus pais logo no começo do blog. Era uma sucessão de expressões de estranhamento. Quer ver? Estranhamento 1) Hugo cozinhando. Estranhamento 2) Hugo tirando foto da comida??? Estranhamento 3) O prato ficou bom!

O melhor disso tudo é que o blog também é ótimo para quebrar estereótipos. Cansei de ver gente me olhando com cara de "iiiih" quando eu contava que tinha um blog de culinária e depois me olhar com cara de surpresa depois de ouvir o resto da frase "...com minha namorada. Ela adora". Hehe, não preciso nem dizer que acabavam me pedindo o endereço. É isso aê!

Ah, outra coisa: quem disse que quem cozinha bem é quem faz pratos modernos, sofisticados, lindos e maravilhosos, geralmente com nome francês e porção pequena? Cooooisa nenhuma. Comida é comida. Condição básica de sobrevivência!!!

Bem, já falei demais. Discurso de aniversário não pode ser muito longo para não morgar o "é pique", depois do parabéns.

Obrigado a todos vocês que acompanham o blog, os maiores responsáveis por ele ter vingado. Obrigado pelos comentários, sempre muito sinceros e sugestivos. Obrigado pelas sugestões de receitas, pelas conversinhas sobre comida que hoje fazem parte do nosso dia-a-dia. Obrigado pela companhia.

E como hoje é dia de festa, o post é feito a quatro mãos!

O primeiro post

Nós tivemos um longo período de enrolação preparação antes de começar a colocar a mão na massa, mas o primeiro post registrado exatamente a um ano atrás, no dia 14 de abril de 2010, foi bem bonitinho e bem explicativo sobre o que nós queríamos fazer por aqui:


E não demorou para receber o primeiro comentário de uma leitora desesperada curiosa:



As primeiras receitas

Hugo deu o ponta pé inicial que, aliás, impulsionou a criação desse espaço, e fez seu primeiro pão caseiro, que sofreu pra ser “trabalhado” mas que acabou saindo!

Eu quis começar botando banca, crente que a prática seria moleza depois de uma vida inteira de assistência à mami. Fiz um bolo de chocolate que ficou uma delícia, mas teimou e não saiu da forma por nada neste mundo.


Então é isso! Devia ter um bolo com uma velinha pra soprar, mas a semana tá super corrida do lado de cá. Obrigada por estarem aí, pela participação nos comentários (que adoramos receber), e espero que vocês continuem com a gente porque, vocês sabem né, ainda temos muuito o que aprender – logo, muito para contar.
=P

Ah, como hoje é dia de festa pode fazer um pedido? Dá parabéns pra gente?! =)

sábado, 9 de abril de 2011

Aprendendo na agonia: Pudim

Domingo eu assisti o filme Julie & Julia pela terceira vez e sempre que eu assisto fico pensando na determinação para atingir um objetivo, que faz Julie cozinhar depois de um longo dia de trabalho. Ela chega em casa 21h, 22h e vai cozinhar!! Sério, me sinto super preguiçosa quando vejo isso.

Então tomada por este espírito mulher-moderna-que-trabalha-cozinha-cuida-da-casa-blá-blá-blá cheguei em casa quase 20h, depois de um engarrafamento duzinferno que toma conta do Recife na hora que mais se quer chegar em casa, e inventei de fazer alguma coisa! “Mas essa hora?”, “Sim, essa hora”.

Atendendo aos pedidos de papis que não aguenta mais eu fazendo coisa com chocolate, fui fazer um pudim, afinal, já ouvi por aí que pudim “é muito fácil de fazer”, “foi a primeira receita que aprendi”, “quando tiver com preguiça de cozinhar, faça um pudim”. Então fui pro caderno de receitas de mami, quando ela me disse que não tinha no caderno, só na cabeça! (A partir daí preste atenção no envolvimento dela nesta receita que devia ser feita por MIM.)

Então tá. “Diga aí a receita pra eu anotar e vá pra sala”:

Ingredientes:
1 lata de leite condensado
2 latas de leite (o leite normal na lata de leite consensado, saca?)
3 ovos inteiros
1 colher de sopa de maisena

Modo de fazer: Caramela a forma. Bate tudo no liquidificador, coloca na forma e cozinha em banho-maria por uns 45 minutos.

- Quanto de açúcar coloco na forma?
- Ahhh... aí eu só sei de olho.

E tome açúcar na forma. Porque era pra caramelar (ou seria caramelizar?) o açúcar na própria forma. Sempre a vi fazendo isso na maior tranquilidade, como se o fogo nem estivesse ali. Claro que a minha inexperiência apareceu bem nessa hora e o resultado foram dedos quase queimados e, claro, um pedido de socorro.

Forma pronta, massa feita, mami colocou a água na panela (“nessa que cabe a forma certinha”), água que não podia ser muita para não derramar dentro do pudim quando estivesse fervendo, colocou um tiquinho de vinagre (“pra panela não ficar preta”), colocamos a forma dentro da panela, colocamos a tampa (“tem que abafar”), marquei 40 minutos...

Então a panela ficou lá batendo como se tivesse alguma coisa viva dentro dela. (Impossível não lembrar a cena que Julie vai cozinhar lagostas... mas a minha versão de coisa-viva-na-panela é de pobre – era só um pudim.) E depois de algum tempo, quando fui dar uma olhadinha, a água estava entrando no pudim! Há quem diga que não, mas eu VI! E tive certeza que a coisa toda ia ficar com gosto de vinagre.

Depois dessa cena, Maria Agonia (minha mãe) disse que já estava bom, mesmo estando um tiquinho mole ainda. Tiramos do fogo e, mesmo eu dizendo que queria deixar esfriar para desenformar, fui quase obrigada a fazê-lo ainda morno – ou isso ou ela mesma desenformava.

Então é isso. Hoje não tem foto. Vou só dizer que o pudim ficou todo quebrado e aí vocês criam uma imagem na cabecinha de vocês, assim, quem sabe, não sai melhor do que o próprio “Quasimodo, O Pudim”.

Ah, já ia esquecendo: não, não ficou com gosto de vinagre e, apesar de todos os atropelos, ficou gostoso! Não sobrou nadinha pra contar a história!

domingo, 3 de abril de 2011

Já comeu? Laranja vermelha

Está bem, eu sei que estou devendo algumas receitas aqui. Faz tempo que não tenho tempo nem para comer direito, imagine para fazer uma receita e depois um texto? Pois é, está difícil. Peço desculpas desde já pela ausência e agradeço pela paciência dos (as) leitores (as), que assim que postamos um texto logo começaram um papo interessantíssimo sobre o que era xerém.

Então, adorei a ideia do "Já comeu?" e desde já adianto que teremos receitas digamos... exóticas (mas não vou contar agora. Supresaaaa!). Enquanto essas receitas não vêm, apresento a nova fruta da série: A Laranja Vernelha!


Quem trouxe essa raridade para cá foi meu pai. Trouxe do sítio de um colega agônomo. Ai foi o maior sucesso. O gosto é idêntico ao de uma laranja mimo, supernormal e doce. Agora, convenhamos: comer uma laranja cor de sangue, no primeiro contato, é bastante estranho.

É um jogo de sentidos, pois enganado pela visão, a gente já espera algo mais puxado para morango, mas nada cítrico. Quando coloca na boca, vem a sensação de "oxe". É a mesma cosa de uma laranja comum, mas o cérebro nao aceita isso e à medida que ela vai sendo devorada, vai ficando mais estranha. "Parece que estamos mastigando uma gengiva", disse ao ver o bagaço vermelho "sangrando" entre os meus dedos.

Ou seja, comer (ou chupar) laranja vermelha é beeem estranho.

SOBRE O XERÉM: Eu sei o que é xerém porque quando eu era criança, uma vizinha costumava fazer e ir para a rua segurando o prato para esfriar. Mas via também o pai e o irmão dessa vizinha colocarem o xerém na ponta do dedo indicador e para os passarinhos entre as paletas da gaiola.

Ou seja, conclui-se que Xerém é uma comida compartilhada entre homens e pássaros. E que cuscuz nada mais é que "Xerém ao bafo".